O pintassilgo - Donna Tartt
>> quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
TARTT,
Donna. O pintassilgo. São Paulo:
Companhia das Letras, 2014. 722 p. Título original: The goldfinch.
Desde
o lançamento deste livro em 2014, eu tenho curiosidade de conhecer a história.
O tempo passou, a vontade ficou ali, de ladinho, o livro ficou anos nos
desejados do Skoob, até que, um belo dia, sai a notícia de que a adaptação do
livro para o cinema estrearia em outubro de 2019. Apaixonada que sou por
adaptações literárias para o cinema e para a TV, logo incluí o livro nas metas
de leitura, para poder, finalmente, conhecer a história de Theo Decker. E, após
720 longas páginas, conto para vocês o que achei de O pintassilgo.
Theo
tem treze anos e não está em seu melhor momento da vida. Está enfrentando
problemas na escola em que é bolsista e tudo que ele menos quer é que a mãe
chegue à reunião agendada com a direção da escola. Ele tem medo de perder a
bolsa e decepcionar a mãe. Seu melhor amigo é encrenqueiro e escapa das piores
situações em que se coloca, fazendo com que Theo assuma a responsabilidade.
No
dia da fatídica reunião, Theo e a mãe saem em direção à escola, mas parece que
não é um dia para sair de casa. Tudo certo para dar tudo errado. Uma terrível
tempestade está assolando a cidade, e a mãe de Theo decide que eles devem se
abrigar no museu enquanto esperam a chuva melhorar e possam seguir até a
escola. E por que não fazer isso dando um passeio dentro do museu?
Tudo
parece normal até que a mãe de Theo se separa dele por um segundo e, nesse
momento, uma bomba explode dentro do museu, deixando quase todos mortos. Quase.
Theo sobrevive. Ele tenta ajudar alguns que parecem agonizar, mas em vão.
Dentre eles, há um velhinho que, no auge do delírio e no fim das forças,
entrega um quadro a Theo e pede que ele o guarde, que o leve para si. Sem muito
pensar, apenas tentando agradar o velhinho, Theo pega o quadro e guarda dentre
os seus pertences.
É
assim que se inicia a grande jornada de Theo, que passará por alguns lugares e
experiências que o transformarão. Graças à vivência com o pai, que, de repente,
reivindica o filho, e às amizades que faz ao longo da vida, Theo se verá em caminhos
tortuosos e não tão bons assim, o que influenciará irreversivelmente em quem
ele é, no que faz e em como lida com o mundo.
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Se
eu pudesse premiar este livro, com certeza seria com o prêmio eternidade
literária.
Narrado
em primeira pessoa por Theo, o livro me prendeu de início, contudo, com o
passar das páginas e o desenrolar da história, a narrativa passou a se arrastar
mais e mais, até eu quase ficar desesperada pelo fim e muito mais que aliviada
ao passar pela última página.
Fiquei
muito solidária a Theo quando acontece a explosão do museu. A riqueza de
detalhes com que é narrada a cena é incrível, quase pude sentir o cheiro e o
gosto da poeira das paredes derrubadas e o cheiro de queimado e de sangue das
pessoas. Foi traumatizante.
Contudo,
o que me pareceu ser o ponto forte do livro acabou por se mostrar uma tortura.
Páginas e páginas descritivas que poderiam se resumir a poucos parágrafos.
Tenho certeza de que, sem tanta descrição, o livro teria muito menos da metade
do tamanho que tem.
Em
relação aos personagens, de início simpatizei muito com Theo. Um garoto
solitário, vivendo da boa vontade da família de seu amigo rico. Não deve ter
sido fácil. Porém, acho que tudo ficou um pouco pior com a aparição do pai.
Assim,
à medida que Theo foi “crescendo” na história, infelizmente acabei deixando de
ter aquela torcida por ele. Não que eu desejasse mal ao personagem, mas não
concordei com muitas atitudes ou decisões ele tomou.
Muitos
dos personagens são muito bem construídos, mas a que mais me cativou foi a mãe de
Theo, curiosamente a personagem que infelizmente se despede muito cedo da
narrativa. Os demais não tiveram grande significado para mim, embora sejam
essenciais para a história. Outro ponto positivo da narrativa excessivamente
descritiva: fazer com que os personagens sejam quase palpáveis de tão reais. Não ficaria impressionada de encontrar um
Theo, uma Xandra, um Larry ou um Boris por aí.
Apesar
do que eu disse acima, eu gostei da história. Além disso, ao final, a mensagem que o livro deixa é um tanto reflexiva e me
deixou bem pensativa sobre a vida, a morte, sobre viver versus sobreviver.
Então,
indico para quem gosta de calhamaços, de histórias adaptadas para o cinema e de
livros bem descritivos.
Adicione
ao Skoob!
Avaliação
(1 a 5): 3.5