Iluminadas - Lauren Beukes
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>> segunda-feira, 2 de novembro de 2026
BEUKES, Lauren. Iluminadas. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2014. 320p. Titulo original: The Shining Girls.
“Há apenas um número limitado de histórias no mundo. É a maneira como elas se desenrolam que as torna interessantes.”
Não conhecia este livro até ouvir falar da minissérie da Apple TV, The Shining Girls. Quando vejo que é adaptação sempre prefiro ler antes, e aqui estamos rs. Iluminadas, da Lauren Beukes, é um livro que mistura thriller, viagem no tempo e tem um pé na fantasia. Confiram o que eu achei!
Harper Curtis vive na Chicago dos anos 1930. Um homem que vive à margem da sociedade, sem onde morar nem trabalho, usa a violência como forma de sobreviver nas ruas. Depois de encontrar uma misteriosa casa abandonada, Harper descobre que ela lhe permite atravessar diferentes épocas. E ele começa a viajar no tempo, visitando Chicago em anos diferentes, vendo de perto a modernidade chegando. Na casa havia o corpo de um homem assassinado e também uma mala cheia de dinheiro; que ele começa a usar, mas que nem sempre é exatamente a moeda daquela época.
Porém, aquela casa parece ter vontade própria e um propósito muito sombrio. No segundo andar ele encontra um quarto misterioso, cheio de objetos diferentes e com vários nomes escritos na parede. Ele descobre que deve encontrar e matar determinadas jovens, que ele chama de “meninas iluminadas”, mulheres que ele visita ainda crianças, e de alguma forma enxerga o potencial futuro delas, que elas vão se destacar em algo. E ele promete, volto para te ver...
Harper passa a perseguir suas vítimas ao longo das décadas. Ele surge em suas vidas quando elas ainda são jovens, deixa objetos estranhos como lembranças e, anos depois, retorna para assassiná-las de forma cada vez mais brutal. Entre essas mulheres estão Alice Templeton, Zora Ellis Jordan, Willie Rose, Kirby Mazrachi, dentre outras.
Kirby teve uma vida sofrida, criada apenas pela mãe, Rachel, que usava drogas e trazia homens diferentes para casa diariamente. Ela consegue ir para a faculdade e começa a estudar jornalismo. Kirby é atacada brutalmente, mas sobrevive com a ajuda de seu cachorro fiel, que morre tentando protegê-la. Por um erro, Harper não percebe que ela sobreviveu e segue com suas outras mortes.
Anos depois, Kirby começa a trabalhar no jornal Chicago Sun-Times como estagiária do jornalista Dan Velasquez, que agora cobria a parte de esportes do jornal. Kirby ainda sofre física e mentalmente com as sequelas do seu ataque, e começa a investigar para tentar descobrir a verdade, já que a polícia parece não avançar no caso. Com a ajuda dos bibliotecários e pesquisadores do jornal, Kirby começa a investigar crimes antigos e percebe conexões impossíveis entre eles, alguns assassinatos separados por décadas apresentam evidências que parecem apontar para o mesmo assassino, ou talvez alguém tenha continuado o "trabalho" do assassino original? Objetos estranhos que não pertenciam as vítimas são deixados junto com o corpo. Mas ninguém parece levá-la a sério.
Enquanto Kirby e Dan tentam avançar em suas pesquisas, Harper descobre que sua vítima sobreviveu. E, para um assassino que acreditava controlar o tempo e o destino, isso significa voltar e terminar o que começou. A diferença é que, desta vez, Kirby não pretende apenas fugir.
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A premissa certamente é diferente e interessante, tem um ar de livro do Stephen King, com essa casa misteriosa que permite viajar no tempo. O livro pega uma fórmula conhecida, um serial killer violento matando várias mulheres e alguém que está tentando pegá-lo, mas coloca aí fatores que tornam quase impossível prender o culpado, alguém que mata em várias linhas temporais e essa casa meio sobrenatural. O resultado foi intrigante, a narrativa prende, mas faltou algo para ser uma super leitura, faltam muitas respostas.
Os protagonistas, Kirby e Harper, narram a maior parte do livro. Mas temos também as tristes histórias das outras mulheres, narradas por ela. Cada uma tem um capítulo, ondem conta-se quem ela é, o que faz e termina com a morte trágica de cada uma. Dan, o jornalista e que fica próximo de Kirby, também narra alguns capítulos. Kirby é uma moça inteligente, obcecada pelo que lhe aconteceu, e quem não ficaria? Mas é a única que começa a perceber que o assassino aparece em tantas épocas diferentes. Sem ajuda da polícia, continua investigando sozinha. Gostei muito de Kirby, me apeguei a ela.
A história das outras moças é tão abrupta que só dá para sentir pena, as narrativas são rasas e corridas. Mas esse aspecto destaca a crueldade gratuita do assassino. Que escolhe as moças sem nenhum motivo e interrompe de forma covarde toda a vida que elas teriam pela frente.
Harper é um antagonista perturbador. A autora não tenta torná-lo sedutor ou moralmente ambíguo. Ele é cruel, violento e profundamente assustador, principalmente porque tem acesso a algo que lhe concede uma vantagem impossível, as linhas temporais diferentes por onde ele transita como quiser. A violência gratuita, a falta de qualquer motivo para tentar humanizar o personagem torna tudo pior.
A estrutura narrativa, alternando personagens e períodos históricos, exige atenção. A história viaja por diferentes décadas de Chicago e muda constantemente de perspectiva, o que pode causar alguma confusão no início. Mas logo o leitor se ambienta e deu muita agonia a forma como Harper agia livremente e nada era descoberto.
O livro é bastante sombrio e repleto de cenas violentas, mas não dá para negar a criatividade da autora. É uma leitura intrigante e diferente, gostei da narrativa e a história me prendeu muito. O que me incomodou foi realmente o fato de nada ser explicado. As viagens são uma espécie de círculo, então Harper é causa e é consequência. A casa é um mistério sem explicação, algo que também lembra os livros do King, onde diversas vezes ele se utiliza de um sobrenatural que nunca é explicado.
[ALERTA DE SPOILERS] A casa existe, ela é sinistra, ela deixa viajar no tempo e é isso. Não se explica nada, a origem, o motivo, como funciona ou surgiu, nada. O porquê de Harper matar? Porque ele gosta! Até aí pra mim até ok, King também nunca explicou a origem das suas maluquices kk, mas eu realmente queria mais do final, queria saber como ele escolhia as vítimas ainda crianças, porquê elas eram "iluminadas". E Harper, no fim, se origina nele mesmo. No confronto final com Kirby e Dan, que sobrevivem depois de viajar no tempo e lutar com ele, Harper morre e sua energia meio que se integra a casa. Ou seja, a energia ruim da casa, que o atrai para lá, era dele mesmo. O corpo que estava na casa quando ele a descobre, ele que matou. Os nomes na parede, ele mesmo que escreveu, assim como todos os souvenir. Então é aquela da cobra comer o próprio rabo ou algo assim hahaha, um ciclo, Harper é a origem e o fim. Termina com ele morrendo e virando a casa hehe, e com Dan ferido, mas sobrevivendo. Ele e Kirby terminam juntos. [FIM DOS SPOILERS]
Como falei no início, o livro foi adaptado para a TV pela Apple TV como uma minisérie, The Shining Girls, em 2022. A minisérie teve 8 episódios e no elenco reuniu: Elisabeth Moss (Kirby Mazrachi), Wagner Moura (Dan Velazquez), Jamie Bell (Harper Curtis), Phillipa Soo (Jin-Sook), Amy Brenneman (Rachel). Claro que é muito diferente do livro, alguns aspectos foram interessantes, princpalmente porque o livro não explica muita coisa. Mais mudaram demais a história, o que sempre me incomoa.
Acho que é um livro intrigante e vale a pena ser lido, princpalmente para quem curte histórias que fogem do comum. Leiam!
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Avaliação (1 a 5):
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