O presente - Cecelia Ahern
>> sexta-feira, 7 de novembro de 2014
AHERN, Cecelia. O presente. São Paulo: Editora Novo Conceito, 2013. 318p.
Título original: The gift.
“Não sabia que era impossível dizer à vida quando ele estaria
pronto para aprender, e a vida estava lhe dizendo que estava preparada para
ensinar. Ele não sabia que não era o caso de apertar alguns botões, e
repentinamente, saber de tudo; não sabia que os botões a serem apertados
estavam nele mesmo.
Lou Suffern achava que sabia tudo.
Mas estava apenas começando a arranhar a superfície.” p.155
Os últimos livros
que li da autora têm duas características marcantes, uma lição de vida e um
toque de fantástico. Foi o caso de Aqui
é o melhor lugar (2006), O
livro do amanhã (2009) e A
vez da minha vida (2011) - data de publicação nos EUA. Sou fã da autora, mas
tenho saudade dos seus livros antigos, romances fortes como P.S Eu te amo e Onde
terminam os arco-íris – que foi relançado este ano pela NC com o título de Simplesmente acontece. E hoje conto para vocês o que achei de O presente da Cecelia Ahern.
Lou Suffern é um homem que
conquistou o que muitos homens só sonham. Uma bela mulher, dois filhos lindos,
uma casa chique, um carrão e um ótimo emprego. Mas ele sempre busca por mais, vive para ganhar dinheiro e parece que está sempre lutando contra o tempo.
Está sempre pensando no próximo compromisso, não larga o celular e mal
consegue dar atenção para a esposa e os filhos.
O trabalho vem
sempre em primeiro lugar, o resto é uma chateação. Ele não entende porque a
esposa, Ruth, está sempre reclamando
de tudo e anda tão relaxada. Ela critica Lou por não dar atenção suficiente aos
filhos, Pud – um bebê de apenas um
ano – e Lucy , uma menina de 5 anos.
Mas ele não tem tempo para comparecer a apresentações infantis de teatro, para
buscar a filha em algum lugar ou para visitar os pais. Tudo isso é perda de tempo,
ele precisa comparecer a reuniões importantes, beber com algum contato depois
do trabalho, e claro, dar suas pequenas escapadas com as secretárias e quem mais aparecer pela frente. Após ser pego com a babá, a esposa ficou ainda mais
irritada com ele.
Até que em uma
manhã de inverno, Lou conhece um morador de rua, Gabe. O mendigo era muito parecido com ele e inteligente, lhe
passou várias informações importantes sobre um colega de trabalho que estaria
tentando lhe roubar uma promoção. Ele que ter Gabe por perto, e
lhe oferece um emprego. Mas Lou logo se sente perturbado, Gabe parece saber muito sobre sua vida, faz perguntas inconvenientes e parece estar sempre em dois lugares ao
mesmo tempo.
Gabe parece saber
coisas demais, e ao mesmo tempo que começa a perceber que ele não é só um simples morador de
rua, começa também a enxergar as escolhas que fez para sua vida.
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Como eu falei no
início, o livro trás uma lição importante, fala de escolhas e
de como perdemos tempo em nossa vida com coisas supérfluas, sem dar o devido
valor ao que realmente importa. Apesar da reflexão interessante, não achei que
funcionou como um romance, o enredo é chato e por vezes cansativo.
Começando pelo
protagonista, Lou é egoísta, prepotente, e se acha um grande homem. Ele trai a
mulher sistematicamente, não está nem aí para os filhos, não sabe nem quantos anos
direito a filhinha tem, ele irrita em todas as cenas. Ajuda Gabe e no momento
seguinte se arrepende, está o tempo todo pensando no que pode ganhar se chegar
mais cedo, ou sair mais tarde do trabalho. Ele magoa a esposa, a filha, a
família inteira. Dá vontade de socar o cara. E sem falar que a esposa é uma
santa para aguentar o traste.
Aí tem Gabe, o
morador de rua misterioso que dá um toque suave a história e deixa tudo um
pouquinho interessante. Tem também um toque de fantasia, Lou consegue fazer
algo impossível e tal. Como nos outros livros dela, o toque de fantasia é algo “divino”, não tem uma explicação plausível para o que acontece.
Gosto da
narrativa da autora, Cecelia escreve bem e sempre fico ansiosa para ler outros dela, mas este deixou demais a desejar. O livro é narrado em
terceira pessoa e se concentra quase que totalmente em Lou, e como o cara é um
chato de galocha, não consegui gostar da leitura.
Prefiro seus
livros de romance, para quem quer conhecer a Cecelia escolha outro livro. Para mim a autora puxou demais para a auto ajuda e se esqueceu do
romance. Boring... não indico.
Avaliação (1 a
5):